HÍSTORIA

      Na década de 40 (1940/50 José Carlos Guilherme Salgado, (1901-1961), natural de Melides, filho de D. Lucrécia Balbina Salgado e de seu marido Carlos Augusto Guilherme, apercebeu-se da situação privilegiada da aldeia de Melides entre os grandes campos de cultura de arroz que se estendiam desde Santo André até Troia.

     Assim, resolveu transformar um edifício da sua família, situado no centro da aldeia (e onde existia ainda uma pequena taberna “ A Mercantil”) numa fábrica de descasque de arroz e moagem de farinha a que deu o nome de Fábrica de Moagem e Descasque de Arroz.

     Esta fábrica funcionou durante alguns anos, dando apoio aos produtores de arroz e dando trabalho a alguns homens da região.

     Por motivos pessoais, José Salgado, sobrinho do primeiro proprietário, vendeu o Alvará da sua fábrica.

     Logo a seguir pediu um novo Alvará que lhe foi naturalmente negado e o edifício ficou a servir de armazém e venda de farinhas para o gado.

     Recentemente, o edifício foi comprado pelo Município de Grândola e cedido à junta de freguesia de Melides, onde atualmente funciona o (Espaço Cultural “a Moagem” J.F.M.) e em parceria com o Município o polo de Turismo na época alta do verão.

A FÁBRICA 

 

       Nesta fábrica era efetuado o descasque de arroz, a moagem do trigo, da cevada e do centeio.     

      Um potente motor a Diesel fazia funcionar, através de correias de transmissão, os eixos rotativos que distribuíam as diferentes tarefas da fábrica.

      Um depósito no piso superior fazia a refrigeração do motor.

      Após a entrega pelos lavradores do cereal (trigo, cevada ou centeio), e efetuado o respetivo registo das quantidades, o cereal era colocado num tegão de onde era enviado para o piso superior através de um sistema (Nora de Elevação) que depositava o cereal em dois tegões, um para o milho e centeio  e outro para o trigo .

      Cada um destes tegões descarregava o cereal, por caleiras, para os moinhos de pedra no piso inferior de onde saia a farinha

      O arroz era colocado num tegão separado de onde era enviado para o piso superior por uma outra Nora de Elevação para uma Tarara de Seleção onde uma Turbina selecionava o arroz da casca para depois ser enviado por tubos para a Mó. Esta mó girava sobre uma placa de cortiça para não esmigalhar o arroz. Posteriormente, esta placa foi substituída por borracha pneumática. Este novo material já permitia descascar e semi branquear o arroz.

Augusto Salgado

Planta da Fábrica